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Artigos e reflexões › 18/04/2013

Marginais deprimidos

assalto_arma_revolver_homicidio_crimeOs atos criminosos, nos dias atuais, se repetem “ad nauseam”. Vou me referir apenas à nossa linda Pindorama. Desconheço qualquer época de nossa história em que a bandidagem estivesse tão sem escrúpulos como no tempo em que vivemos. São os assaltos contínuos aos postos de combustível, os roubos nas fazendas, a explosão de caixas eletrônicos, a matança interminável de pessoas portando valores, a invasão de residências familiares, a crueldade contra os inadimplentes das drogas, as vinganças amorosas… Temos saudade dos tempos dos duelos teatrais, e das surras que desfiguravam o rosto e quebravam os ossos. Hoje, para matar, com requintes de crueldade (com armas roubadas ao Exército), basta alguma vítima não ter belos olhos azuis. Movidos a droga e com altas doses alcoólicas, praticam atos abomináveis, que nenhum animal consegue fazer. “A nossa culpa chega até os céus” (Esdras 9, 6).

Gostaria de pedir a sua companhia, para refletir um pouco. A motivação de tais atos desumanos parece que provém do desejo irrefreável de ficar rico sem trabalhar. Seria o exemplo provindo dos maus políticos? A falta de uma boa educação familiar? A irreligiosidade? Quero mostrar as consequências de tais atos delituosos. Antes de tudo, o bandido perde o respeito por si mesmo. Sabe que é um estorvo para a humanidade e a seus olhos avilta-se, perde a autoestima. ”Eu não presto”. Em segundo lugar, os semelhantes, mesmo que não tenham provas de seus crimes, sabem que ele deve ser evitado, e não merece confiança. Repete-se a segregação de Caim: “Serás errante e fugitivo sobre a terra” (Gn. 4, 12). Mas, o que é pior, sente que dessa forma como vive não pode ser amado pelo Pai. Toda pessoa humana tem necessidade de amar e de sentir-se amada. De que forma consegue levantar a cabeça e olhar para os olhos do Criador? Sabe que despreza o semelhante, e que não tem as boas graças de Deus. É péssimo sentir-se pecador sem remissão. Se não resolver mudar de vida, sabe que está vivendo uma vida sem sentido. De que vale viver como nababo com o remorso remoendo a consciência? A lei do trabalho é dura, mas condiciona a convivência humana. Fora do trabalho não há realização.

Por Dom Aloísio Roque Oppermann – Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

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